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Jafar é vítima da ditadura iraniana, que vê em
seus filmes subversivas propagandas contra o regime do presidente Mahmoud
Ahmadinejad. Assim como outros cineastas e artistas do país, Panahi sempre
sofreu com a censura e a perseguição. Mas desta vez, a justiça kafkaniana do
Irã o condenou de forma brutal. É com o desejo de resistir que o diretor de
obras como “O Círculo” e “O Balão Branco”, usa de um artifício para dar voz a
seu dilema.
Ele está proibido de filmar, mas não de ser
filmado; ele está proibido de escrever novos roteiros, mas não de ler roteiros já
escritos. Jafar Convida então o amigo e também diretor Mojtaba Mirtahmasb para
filmar um dia de sua vida. Não apenas um dia em sua prisão domiciliar, mas
também a leitura/montagem improvisada de um roteiro seu, escrito antes da
condenação.
Ao longo do filme, Jafar deprime-se cada vez que
percebe a impossibilidade de fazer um filme apenas lendo um roteiro. Difícil
não se comover com a sinceridade de seu lamento por não poder mais filmar. Isto Não é um Filme, apesar de sua
relevância como protesto e resistência (o filme só está sendo divulgado porque
foi contrabandeado para o Festival de Cannes 2011 escondido dentro de um bolo),
poderia ser uma obra monótona. A narrativa, contudo, evita isso.
Utilizando muito bem os recursos de montagem,
vemos as alternâncias do dia de Jafar; sua tristeza e seu esforço. São ótimos
os momentos em que o diretor mostra trechos de seus filmes e conta detalhes
interessantes dos bastidores e do ofício de fazer filmes.
No final, faz um jogo de espelhos. Enquanto é
filmado pelo amigo, saca seu smartphone e passa a filmá-lo também. Neste
momento, com uma simplicidade emocionante, deixa claro seu amor pela profissão
que está impedido de exercer e o quanto ela está arraigada dentro de si. Ao
filmar e ser filmado, diz ao amigo diretor: “quando duas cabeleireiras não têm
o que fazer, cortam o cabelo uma da outra.”
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Cotação: * * * *
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