REUS / Eduardo
Piñero, Alejandro Pi, Pablo Fernández / BRASIL, URUGUAI, 2010 / 90 MIN.

Reus, é um recorte
que retrata um bairro homônimo de Montevidéu, no Uruguai. Bairro típico de uma
semiperiferia, notadamente decadente, o lugar tem um forte elemento de raiz e
pertencimento para a comunidade que vive nele. A diferença está no fato de que esta
comunidade se divide em grupos com muito pouco em comum.
De um lado está a criminalidade mais rasteira, de viciados e
trombadinhas, que levam o crack para as esquinas do lugar. De outro, está a
criminalidade cuja miséria é atenuada por uma liderança e organização, um
sentido de família e estrutura. Entre uma e outra, estão os comerciantes, que
formam uma comunidade judaica, também fortemente enraizada no bairro, e que se
sente cada vez mais oprimida pelo crime.
De textura seca, o filme cria esse retrato local, em que o
sentido de família e pertencimento perpassa todo o tempo as questões de honra,
dever e reação. Na composição dos elementos da criminalidade e do universo
rasteiro e precário desse grupo, Reus
se mostra convincente. Mas não passa daí.
Sua montagem não ajuda nem na fluidez da narrativa, nem no
trançar dos fios que ligam os grupos e as pessoas. Fica apenas como um recorte
cru, sem tempero ou nuances. Ao não tentar estabelecer relações para além do
quadro que expõe, torna-se vazio de significado, não chegando a lugar algum.
O grande problema é o filme querer bastar por si só no
bairro, no crime e nas classes opostas. Por não buscar vínculos que problematizem
essas relações - sua evolução, involução ou simples estagnação - acomoda-se num
retrato opaco, sem qualquer profundidade, limitado aos contornos de sua moldura.
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